Governo estuda cortar carga
tributária para reduzir custo das tarifas de energia
O governo federal está analisando algumas medidas para reduzir a carga
tributária que incide sobre a conta de energia elétrica. Uma comissão com
representantes dos ministérios de Minas e Energia e da Fazenda deverá ser
formada em breve para analisar alternativas. O PIS e a Cofins, tributos federais que atualmente abocanham
8,5% da conta de luz, poderão sofrer cortes.
Paralelamente, a União vai se
reunir com os Estados para negociar possíveis reduções da cobrança de ICMS,
imposto estadual que chega a representar cerca de 30% da conta paga pelo
consumidor.
"Há uma preocupação da
presidenta Dilma Rousseff para que se reduza a tarifa
de energia elétrica no país. Nós estamos pensando em como vamos viabilizar
essas ações", disse ao Valor o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
A busca de acordo com os Estados,
segundo Lobão, poderia ajudar a equilibrar a tributação ao longo da cadeia
energética. "O preço da conta de luz não é elevado na fase de geração de
energia, mas pela cadeia, que envolve as subestações, as linhas de transmissão
e a distribuição. Essa última é a mais cara", comentou. Para mexer nos
impostos da conta de luz, Lobão afirma que o governo teria de fazer mudanças na
legislação do setor.
Hoje, de cada R$ 100 pagos pelo
consumidor de energia, R$ 45 são tributos e encargos. Desses, metade são
federais. Os Estados ficam com (47%) dos demais impostos. Outros 2,5% são
encargos trabalhistas e cerca de 0,5% fica com os
municípios.
"É extremamente relevante
saber que o governo reconhece esse problema, além de sua manifestação clara
para tentar modificar essa trajetória da conta de energia", disse Claudio
Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. "Acredito que essa postura possa
abrir caminho para retomarmos assuntos importantes, como a extinção da cobrança
da RGR (Reserva Global de Reversão)", avalia Sales.
A RGR é um encargo criado há 40
anos, pago por todos os consumidores. A tarifa deveria ter sido extinta no ano
passado, mas uma medida provisória aprovada pelo Congresso prorrogou a
contribuição até 2035. O texto ainda não foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff.
No médio prazo, o governo já conta
com uma redução no preço da energia, devido ao vencimento das concessões a
partir de 2015. Segundo a consultoria Andrade & Canellas,
até lá um conjunto de hidrelétricas - 21,3 mil MW de geração - terá de ser
entregue ao governo federal.
Lobão afirmou que ainda não foi
decidido se o governo irá renovar essas concessões - o que implica mudar a lei
do setor, uma vez que essas concessões já tiveram uma prorrogação - ou se elas
serão leiloadas novamente. Seja qual for o caminho, a decisão do governo vai se
orientar pela redução do preço da energia, já que os investimentos feitos nessas
hidrelétricas foram amortizados ao longo dos anos.
"Não podemos falar de novas
concessões ou prorrogação sem estar prevista a modicidade tarifária. Se for
decidido pela prorrogação, altera-se a lei, mas ainda assim será garantida a
queda de preço da energia elétrica", disse o ministro.
A Agência Nacional de Energia
Elétrica (Aneel) também admite que o volume de
impostos embutidos na conta de luz é alto e precisa passar por uma revisão
drástica. Em recente audiência realizada pela Comissão de Infraestrutura
do Senado, o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse que a agência também está participando das
discussões do governo e que o setor de energia precisa entrar numa "cesta
básica de desoneração, envolvendo tributos federais e encargos estaduais".
A conta de luz do consumidor
brasileiro carrega o custo de todo e qualquer projeto ligado à área de energia,
desde taxas para manter a segurança energética até cobranças para favorecer a
adoção de fontes renováveis. "Vivemos em um país onde a tributação representa
35% sobre o PIB, o que já muito alto. Não faz nenhum sentido que na área de
energia essa fatia seja ainda maior, chegando a 45%", diz Sales, do Acende
Brasil.