O Seminário Energia Elétrica: Fator de Competitividade da Indústria, realizado nesta quinta-feira, (31) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação dos Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace) indica que o custo da energia no País coloca entraves na produção.

Espremidas pelos elevados preços nos gastos com energia, as indústrias de alumínio reduziram em 10% a capacidade produtiva no país nos últimos seis anos. "Fábricas de outros setores de uso intensivo de energia também estão fechando as portas", alertou o coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira da Indústria de Alumínio (Abal), Eduardo Spalding.

Spalding acredita que os custos da energia praticamente dobraram nos últimos seis anos e hoje o Brasil tem a terceira tarifa mais cara do mundo. "Isso inibe investimentos e, se nada for feito, nos próximos dez anos haverá um aumento de mais de 20% no custo da energia industrial".

Custo da produção

O custo de produção de uma tonelada de alumínio alcançava US$ 1.069 em 2003, e a conta de energia representava 33% desse total. Em 2008, o custo de produção saltou para US$ 1.991 a tonelada, em que 44% representavam os gastos com energia. "O preço da energia condena de forma inexorável a indústria".

Segundo o presidente da Abrace, Paulo Pedrosa, além de contribuir para o fechamento de empresas no país, os elevados custos da energia elétrica comprometem o emprego e a renda dos brasileiros. Também pressionam a inflação e prejudicam as exportações. "Todas essas variáveis têm uma correlação muito grande com o preço de energia", completou Pedrosa.

Para Pedrosa, o primeiro passo para a redução da tarifa é retirar a carga tributária e os encargos, que representam mais de 50% dos valores cobrados dos consumidores de energia.

Desoneração Tributária

Considerada pela CNI como um dos pilares da competitividade, a desoneração tributária e de encargos das tarifas de energia é a principal proposta do estudo Efeitos do Preço da Energia no Desenvolvimento Econômico - Cenários até 2020, feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Abrace.

Especialistas acreditam que com a desoneração das tarifas, o Brasil pode crescer mais e acrescentar R$ 695 bilhões ao PIB até 2020. O custo de energia no Brasil cresceu mais rápido do que no resto do mundo e isso trouxe graves consequências à balança comercial.

O coordenador do Projeto Energia Competitiva da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Garcia lamenta que o era "exportador de alguns produtos, como material de construção, e agora passamos a ser importadores acumulando um déficit de US$ 3 bilhões".